Postagens

Vulnerabilidade também é poder.

Imagem
  Mais um ano festejamos o dia Internacional da Mulher. É claro que merecemos muito. Podemos brindar nossas conquistas, mas também quero convidar você mulher, para refletir sobre as decisões diárias. E para isso indico um filme maravilhoso:   “Se eu tivesse pernas eu te chutaria”. Depois faça sua própria crítica. Enquanto isso, eu apresento a minha.  O título já provoca: ele escancara a violência simbólica e física que muitas mulheres enfrentam diariamente, mas também expõe a ironia de uma sociedade que normaliza o peso da sobrecarga feminina. O filme, ao trabalhar com humor ácido e situações absurdas, revela como a falta de apoio e a recusa em aceitar ajuda podem aprisionar mulheres em um ciclo de exaustão. No Dia Internacional da Mulher, essa reflexão ganha ainda mais força. Celebrar conquistas é importante, mas reconhecer nossas próprias vulnerabilidades é essencial. A mudança começa quando cada mulher entende que não precisa provar força o tempo todo. Mostrar fra...

Quando o cérebro aprende que amar é sofrer

Imagem
Há pessoas que dizem: “Se não dói, não é amor.” E dizem no com convicção, quase como se fosse uma verdade universal . Mas não é. É, na verdade, o reflexo de um cérebro que aprendeu a confundir amor com sofrimento .   O amor não nasce no coração. Nasce no cérebro. Tudo o que sentimos como “amor” é processado no cérebro:  a excitação, o apego, o medo de perder, a ansiedade, a saudade. O cérebro aprende por associação. Ele liga emoções a experiências. E guarda essas ligações como mapas internos. Quando, ao longo da vida, o afeto veio acompanhado de rejeição, instabilidade ou abandono, o cérebro registou algo simples e perigoso ao mesmo tempo: Amar é estar em alerta.   O primeiro amor que conhecemos não é romântico. É relacional.  Antes de qualquer relação amorosa, houve uma relação fundamental: a ligação com quem cuidou de nós. Se o carinho foi imprevisível, condicionado ou instável, o cérebro infantil não teve escolha.  Para sobreviver emocionalmente, aprendeu que...

Amor ou Dependência?

Imagem
  À primeira vista,  amor saudável  e  dependência emocional  podem parecer a mesma coisa. Em ambos há ligação, proximidade e envolvimento afetivo. No entanto, por dentro — no cérebro — são estados  muito diferentes . E essa diferença explica porque algumas relações nos fazem crescer… enquanto outras nos consomem. Quando o amor faz bem ao cérebro No  amor saudável , o cérebro funciona em equilíbrio. A  relação não é vivida como uma ameaça nem como uma necessidade de sobrevivência, mas como uma  escolha consciente . O que acontece no cérebro: A  oxitocina  (hormônio do vínculo e da confiança) está presente de forma estável A  dopamina  existe, mas sem picos extremos O  córtex pré-frontal  (responsável pela razão e tomada de decisões) está ativo A  amígdala  (centro do medo) mantém-se calma Como isso se sente na prática: Segurança emocional Confiança Liberdade para ser quem se é Capacidade de amar sem se ...

Porque é que algumas pessoas ficam presas à paixão (e confundem isso com amor)

Imagem
Todos conhecemos alguém — ou já fomos essa pessoa — que vive num ciclo repetido: começa uma relação com intensidade extrema, tudo é fogo, urgência e emoção… mas passado algum tempo, algo “morre”. Surge o tédio, a dúvida, a sensação de que “já não é a mesma coisa”. Então, a pessoa sai e procura  uma nova paixão . Mas afinal…  o que está realmente a acontecer? A resposta não está apenas no coração. Está, sobretudo, no  cérebro .  A paixão é um “fogo de artifício  cerebral. Quando nos apaixonamos, o cérebro entra num verdadeiro espetáculo químico.  Há uma libertação intensa de   dopamina , a substância associada ao prazer, recompensa e motivação. É a mesma envolvida em comportamentos viciantes. Por isso: Pensamos constantemente na outra pessoa Sentimos euforia, energia, excitação Tudo parece mais intenso e urgente Nesta fase, o cérebro funciona quase como se estivesse “embriagado de emoção”.  E atenção:  isto é natural . A paixão existe para apr...

Por que Que o Amor Nos Faz Sentir Diferente?

Imagem
O amor, frequentemente descrito como uma experiência e atemporal, é também um fenômeno profundamente biológico. À medida que amadurece, ele não apenas molda nossas emoções e comportamentos, mas também reorganiza o funcionamento do cérebro. Esse processo pode ser  compreendido em três fases principais: paixão, amor romântico e apego duradouro. Cada etapa revela como os circuitos neurais se adaptam para sustentar diferentes formas de vínculo. 🔥 Paixão: o fogo inicial Na fase inicial, que dura semanas ou meses, o cérebro encontra-se em estado de intensa excitação. • A Área Tegmental Ventral (VTA) e o Núcleo Accumbens entram em hiperatividade, liberando grandes quantidades de dopamina. • O córtex pré-frontal, responsável pelo pensamento racional e crítico, reduz sua atividade, enquanto a amígdala se torna menos vigilante. O resultado é um estado de euforia e obsessão: a pessoa amada ocupa constantemente os pensamentos, há idealização e um desejo quase compulsivo de proximidade. Neurob...

Anatomia do Suicídio e o Movimento Janeiro Branco: Reflexões Críticas

Imagem
O suicídio constitui um fenômeno complexo, multifatorial e historicamente marcado por tabus sociais. Estudos clássicos de Durkheim, Freud, Menninger e outros demonstram que sua compreensão exige abordagens sociológicas, psicanalíticas, psicológicas e culturais. Apesar da relevância científica, o tema ainda carece de ampla discussão pública e políticas consistentes de prevenção. Nesse cenário, surge o Janeiro Branco, campanha brasileira criada em 2014 e oficializada pela Lei Federal nº 14.556/2023, que busca sensibilizar a sociedade para a importância da saúde mental. Entretanto, cabe problematizar: por que esse cuidado é enfatizado apenas em janeiro, quando a prevenção deveria ser contínua Perspectivas teóricas sobre o suicídio • Sociológica (Durkheim): O suicídio pode ser egoísta, altruísta ou por anomia, sempre relacionado ao grau de integração social. • Psicanalítica (Freud, Menninger, Zilboorg): O ato suicida reflete agressividade voltada contra si mesmo, sentimentos de culpa ou cr...

Psico-Oncologia: Quando Cuidar da Mente Também é Tratar o Câncer

Imagem
O diagnóstico de câncer é um dos momentos mais impactantes na vida de uma pessoa. Ele não atinge apenas o corpo — abala sonhos, relações, identidade e o equilíbrio emocional. É nesse cenário que a psico-oncologia surge como uma aliada fundamental, oferecendo suporte psicológico ao paciente, à família e até à equipe médica. Mas o que exatamente é essa área? E por que ela é tão importante?   O que é Psico-Oncologia? A psico-oncologia é uma especialidade da psicologia que atua junto à oncologia para cuidar da saúde mental de quem enfrenta o câncer. Ela entende que o sofrimento emocional faz parte do processo de adoecimento e que tratar a mente é tão importante quanto tratar o corpo. Seu objetivo é claro: melhorar a qualidade de vida do paciente, ajudando-o a lidar com o medo, a dor, a ansiedade, a depressão e as perdas que acompanham a doença. E isso não se limita ao paciente — familiares e cuidadores também recebem apoio, pois o câncer afeta toda a rede de convivência. Como surgiu es...

Quando o isolamento vira sofrimento silencioso

Imagem
Transtorno de personalidade esquiva, também chamado de transtorno evitarivo, é uma condição psicológica em que a pessoa sente medo intenso de rejeição, crítica ou humilhação. Não é apenas timidez: trata-se de um padrão duradouro que faz parte da forma como o indivíduo funciona no mundo, afetando relações, trabalho e autoestima. Sintomas principais • Isolamento social: evita contato com outras pessoas, mesmo desejando se relacionar. • Sensação de inadequação: acredita ser inferior, incapaz ou desinteressante. • Hipersensibilidade à crítica: interpreta olhares ou comentários neutros como reprovação. • Evitação de oportunidades: não assume riscos, evita entrevistas, reuniões ou relacionamentos. Diferença entre timidez e transtorno esquivo • Timidez: desconforto passageiro, que pode melhorar com o tempo ou experiências positivas. • Transtorno esquivo: padrão fixo e rígido, com sofrimento constante e impacto global na vida. Por que precisa de tratamento O transtorno não melhora sozinho. Se...

Meu filho tem Altas Habilidades /Superdotação: e agora?

Imagem
Receber a notícia de que seu filho tem altas habilidades ou superdotação pode ser surpreendente, emocionante —     também confuso. Muitos pais se perguntam:  “Isso é bom. É um problema? O que eu faço agora?”.  A verdade é que essa descoberta pode transformar a vida da criança — para melhor, se houver apoio, ou com desafios, se não houver compreensão. Como os pais costumam reagir? Alguns pais se emocionam, outros duvidam, e muitos se preocupam.  É comum pensar: • “Será que ele vai ser excluído?” • “E se ele ficar arrogante? • “Como vou lidar com isso na escola?” Outros já percebiam algo diferente: a criança aprendia rápido, fazia perguntas profundas, tinha interesses incomuns para a idade. Mas não sabiam que isso podia ser um sinal de superdotação.  O mais importante é entender que altas habilidades não são um rótulo, mas sim um convite para cuidar melhor do desenvolvimento da criança. Como a escola recebe essa informação? Nem sempre a escola está preparada....

Meu filho é diferente? Entenda as Altas Habilidades e Superdotação

Imagem
🌟Você já percebeu que seu filho aprende mais rápido que os colegas, faz perguntas profundas, tem uma imaginação sem limites ou até mesmo se destaca em música, desenho ou esportes? Muitas mães relatam que seus filhos parecem “diferentes”, mas não sabem explicar exatamente o motivo. Esse pode ser um sinal de altas habilidades ou superdotação. O que significa ter altas habilidades? De forma simples, são crianças e adolescentes que apresentam potencial acima da média em alguma área: • Intelectual (pensamento rápido, memória excelente) • Acadêmica (facilidade em disciplinas escolares) • Criativa (ideias originais, soluções inovadoras) • Social (liderança, influência entre colegas) • Artística (música, teatro, desenho, literatura) • Psicomotora (coordenação, agilidade, esportes) Não significa que sejam bons em tudo, mas que possuem talentos especiais que precisam ser reconhecidos e estimulados. Como esses sinais aparecem no dia a dia? • Fazem muitas perguntas e têm curiosidade intensa. • Ap...

O desafio de transformar luto em luta

Imagem
O feminicídio de Catarina Kasten, ocorrido em Florianópolis em novembro de 2025, expõe a persistência da violência de gênero e convoca a psicologia forense e criminal, assim como todos os profissionais dessa área criminalista e a sociedade em geral a transformar o luto em luta. Este artigo homenageia a vítima e reflete sobre o papel da psicologia criminalista na análise, prevenção e enfrentamento do feminicídio nos tempos atuais, incluindo a discussão sobre alegações de transtornos mentais e a atuação integrada das diferentes áreas da psicologia. O feminicídio é reconhecido como a forma mais extrema da violência contra a mulher. Lagarde (2005) define-o como um crime “não apenas contra a vida, mas contra a condição de ser mulher”. O caso de Catarina Kasten, professora e pesquisadora, violentada e assassinada em uma trilha de Florianópolis, exemplifica como a violência de gênero continua a se manifestar na sociedade, mesmo em espaços públicos que deveriam ser seguros. Feminicídio e violê...

💔 Quando Amar Não É o Bastante: A Dor de Ser Ignorado Por Ser Amável

Imagem
  Algumas pessoas amam com profundidade. Se entregam com verdade. Cuidam com generosidade. E, mesmo assim, são ignoradas, desprezadas ou descartadas. Este artigo é sobre elas. Sobre quem ofereceu o melhor de si — e recebeu silêncio. Sobre quem foi presença — e recebeu ausência. Sobre quem foi afeto — e recebeu frieza. 🌪️ O Amor Que Machuca Quando Não É Recíproco Vivemos em uma cultura que ensina que o amor é uma troca justa: “Se você for bom, alguém vai te amar.” Mas essa lógica é cruel. Porque transforma o afeto em mérito, e o desprezo em culpa. Muitas pessoas se perguntam: “Será que fui demais?” “Será que fui fraco por me importar?” “Será que o problema sou eu?” Não. O problema não está em quem ama com intensidade. Está em quem não sabe receber. Em quem confunde cuidado com obrigação. Em quem vê vulnerabilidade como fraqueza. 🧱 A Armadura Que Protege — Mas Também Isola Depois de tantas rejeições, é natural construir defesas: • Independência extrema • Silêncio emocional • Distan...

Altas habilidades/superdotação: mais do que talento, um universo de complexidades e possibilidades

Imagem
Por Cleonice F Andrade  Quando se fala em altas habilidades/superdotação (AH/SD), a imagem que costuma vir à mente é a de crianças prodígio resolvendo equações complexas ou dominando instrumentos musicais com maestria. Mas essa visão é apenas a ponta do iceberg. A superdotação é um fenômeno multifacetado que envolve não apenas desempenho excepcional, mas também potencial, emoções, contexto social e necessidades educacionais específicas. Reconhecer essa complexidade é essencial para compreender e apoiar adequadamente esses indivíduos. Histórico e evolução do conceito A trajetória do estudo sobre AH/SD é marcada por mudanças significativas. No início, acreditava-se que o talento extraordinário era fruto exclusivo do ambiente social e cultural. Essa visão começou a ser revista no século XX, com o avanço da psicologia e o desenvolvimento de métodos para identificar habilidades excepcionais. Um marco importante foi o trabalho de Lewis Terman, em 1921, com a criação da Escala de Inteligê...

Sinais de Relacionamentos Prejudiciais

Imagem
Por Cleonice F Andrade  Relacionamentos são sistemas dinâmicos — eles evoluem, enfrentam desafios e, por vezes, revelam padrões que comprometem o bem-estar emocional dos envolvidos. Na terapia cognitiva, observamos que os vínculos interpessoais são moldados por crenças centrais, esquemas cognitivos e mecanismos de enfrentamento. Quando esses elementos se tornam disfuncionais, o relacionamento pode deixar de ser um espaço de crescimento e se transformar em uma fonte de sofrimento. 🧠 O Que Torna um Relacionamento Prejudicial? Um relacionamento torna-se prejudicial quando os comportamentos negativos superam os positivos de forma consistente, ou quando há padrões que ferem a integridade emocional, psicológica ou física de um dos parceiros. Isso não significa que todo conflito é sinal de toxicidade — mas sim que há uma repetição de atitudes que minam a segurança, a autoestima e a liberdade do indivíduo. Momentos de estresse, traumas não resolvidos ou esquemas disfuncionais podem intens...

Dar e Receber: A Dinâmica dos Relacionamentos Saudáveis

Imagem
Por Cleonice F Andrade  A reciprocidade é uma das forças silenciosas que sustentam os relacionamentos saudáveis. Ela não se manifesta como uma contabilidade emocional, onde cada gesto é registrado e comparado, mas como uma fluidez natural entre dar e receber. Na terapia cognitiva, compreendemos essa dinâmica como uma expressão dos esquemas de valor, merecimento e conexão que cada indivíduo carrega consigo. Dar e receber não significa que cada gesto precise ser retribuído na mesma medida. Às vezes, um parceiro está mais vulnerável, passando por uma fase difícil, e precisa de mais apoio. Em outros momentos, o outro assume naturalmente o papel de cuidador. Esse desequilíbrio é saudável quando há consentimento, respeito e reconhecimento mútuo. 🧠 Esquemas Cognitivos e a Troca Afetiva A forma como uma pessoa dá ou recebe está profundamente ligada aos seus esquemas cognitivos: • Esquema de merecimento: “Sou digno de cuidado” → facilita o recebimento. • Esquema de subjugação: “Preciso cui...

A comunicação nos relacionamentos saudáveis

Imagem
Por Cleonice F Andrade  Ao longo de minha trajetória como psicóloga e praticando a terapia cognitiva, uma verdade se revelou com consistência: a qualidade da comunicação entre duas pessoas é um dos maiores preditores da saúde e longevidade de um relacionamento. Seja entre parceiros românticos, amigos ou familiares, a boa comunicação não é a ausência de conflito — é a capacidade de passear por ele com empatia, clareza e respeito mútuo. 🧠 Comunicação e Esquemas Cognitivos Na terapia cognitiva, entendemos que os pensamentos, crenças e interpretações moldam a forma como nos comunicamos. Cada indivíduo carrega esquemas — estruturas mentais que organizam experiências passadas e influenciam a percepção atual. Quando esses esquemas entram em conflito, surgem mal-entendidos, reações defensivas e rupturas emocionais.  Por exemplo: • Um parceiro com o esquema de rejeição pode interpretar silêncio como desprezo. • Outro com o esquema de controle pode reagir com rigidez diante de opiniões...