Meu filho tem Altas Habilidades /Superdotação: e agora?


Receber a notícia de que seu filho tem altas habilidades ou superdotação pode ser surpreendente, emocionante —    
também confuso. Muitos pais se perguntam:

 “Isso é bom. É um problema? O que eu faço agora?”. 

A verdade é que essa descoberta pode transformar a vida da criança — para melhor, se houver apoio, ou com desafios, se não houver compreensão.

Como os pais costumam reagir?

Alguns pais se emocionam, outros duvidam, e muitos se preocupam. É comum pensar:

• “Será que ele vai ser excluído?”

• “E se ele ficar arrogante?

• “Como vou lidar com isso na escola?”

Outros já percebiam algo diferente: a criança aprendia rápido, fazia perguntas profundas, tinha interesses incomuns para a idade. Mas não sabiam que isso podia ser um sinal de superdotação. O mais importante é entender que altas habilidades não são um rótulo, mas sim um convite para cuidar melhor do desenvolvimento da criança.

Como a escola recebe essa informação?

Nem sempre a escola está preparada. Alguns professores acham que superdotado é aquele aluno que tira 10 em tudo — e ignoram os talentos criativos, artísticos ou sociais. Outros confundem com indisciplina: “Ele não para quieto”, “Fica questionando tudo”, “Não aceita regras”. Mas quando a escola entende o que são altas habilidades, ela pode adaptar atividades, oferecer desafios e ajudar a criança a se desenvolver com equilíbrio.

 Como os colegas reagem?

A criança superdotada pode ser vista como “diferente”. Ela pode ser admirada, mas também pode sofrer com exclusão, bullying ou incompreensão. Por isso, é essencial que pais e professores ajudem a criança a desenvolver habilidades sociais, lidar com frustrações e se sentir parte do grupo.

🧠 Como a própria criança se sente?

Nem sempre ela entende o que está acontecendo. Ela pode se sentir confusa, frustrada ou até triste por não se encaixar. Algumas crianças se cobram demais, outras se isolam, e outras ainda se tornam desmotivadas na escola por falta de estímulo.

É aí que entra o papel da terapia:   ajudar a criança a entender seus sentimentos, fortalecer sua autoestima. desenvolver habilidades sociais e aprender  a lidar com frustrações e desafios. Orientar os pais e a escola sobre como agir. 

Altas Habilidades e Comorbidades

Outro ponto importante é que muitas crianças com altas habilidades também apresentam comorbidades, ou seja, condições que coexistem com o talento, como:

• TDAH (Déficit de Atenção e Hiperatividade)

• TEA (Transtorno do Espectro Autista)

• Ansiedade, depressão

• Dislexia ou outras dificuldades de aprendizagem

• Sensibilidade emocional intensa, entre outras

Essas condições podem mascarar ou confundir os sinais de superdotação. Uma criança com TDAH, por exemplo, pode ser vista apenas como “desatenta” ou “impulsiva”, quando na verdade também é extremamente criativa e rápida no raciocínio.

O risco de erros no diagnostico 

Quando o diagnóstico não é feito por um especialista, há risco de:

• Rotular a criança como “problemática” ou “indisciplinada”.

• Receber tratamento inadequado.

• Ser colocada em ambientes que não estimulam seu potencial.

• Desenvolver baixa autoestima por não se sentir compreendida.

Infelizmente, muitas crianças superdotadas são tratadas como se tivessem apenas um transtorno — e isso pode prejudicar seu desenvolvimento emocional, social e acadêmico.

👩‍⚕️ Por que procurar um especialista?

Um psicólogo especializado sabe que nem todo talento vem acompanhado de boas notas ou comportamento exemplar. Ele observa o conjunto:

• Potencial cognitivo

• Estilo de aprendizagem

• Emoções intensas

• Relações sociais

• Interesses específicos

Com esse olhar completo, é possível fazer um diagnóstico correto e respeitoso, que reconhece tanto o talento quanto os desafios da criança.

💬 Conclusão

Descobrir que seu filho tem altas habilidades é como encontrar uma semente rara: ela precisa de cuidado especial para florescer. Não é sobre ser melhor que os outros, mas sobre ser diferente — e ser acolhido nessa diferença. 

Se você percebe que seu filho é curioso, criativo, intenso, sensível ou aprende rápido, talvez seja hora de buscar ajuda. A terapia cognitiva comportamental é essencial para que ele seja compreendido, acolhido e estimulado da forma certa.

Como psicóloga, atendo crianças, adultos e adolescentes com altas habilidades e superdotação, inclusive quando há comorbidades, ajudando famílias a compreender e apoiar seus filhos com sensibilidade e conhecimento.

Cleonice F Andrade

CRP: 12/04023

WhatsApp: 47997740675

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