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Quando o cérebro aprende que amar é sofrer

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Há pessoas que dizem: “Se não dói, não é amor.” E dizem no com convicção, quase como se fosse uma verdade universal . Mas não é. É, na verdade, o reflexo de um cérebro que aprendeu a confundir amor com sofrimento .   O amor não nasce no coração. Nasce no cérebro. Tudo o que sentimos como “amor” é processado no cérebro:  a excitação, o apego, o medo de perder, a ansiedade, a saudade. O cérebro aprende por associação. Ele liga emoções a experiências. E guarda essas ligações como mapas internos. Quando, ao longo da vida, o afeto veio acompanhado de rejeição, instabilidade ou abandono, o cérebro registou algo simples e perigoso ao mesmo tempo: Amar é estar em alerta.   O primeiro amor que conhecemos não é romântico. É relacional.  Antes de qualquer relação amorosa, houve uma relação fundamental: a ligação com quem cuidou de nós. Se o carinho foi imprevisível, condicionado ou instável, o cérebro infantil não teve escolha.  Para sobreviver emocionalmente, aprendeu que...

Amor ou Dependência?

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  À primeira vista,  amor saudável  e  dependência emocional  podem parecer a mesma coisa. Em ambos há ligação, proximidade e envolvimento afetivo. No entanto, por dentro — no cérebro — são estados  muito diferentes . E essa diferença explica porque algumas relações nos fazem crescer… enquanto outras nos consomem. Quando o amor faz bem ao cérebro No  amor saudável , o cérebro funciona em equilíbrio. A  relação não é vivida como uma ameaça nem como uma necessidade de sobrevivência, mas como uma  escolha consciente . O que acontece no cérebro: A  oxitocina  (hormônio do vínculo e da confiança) está presente de forma estável A  dopamina  existe, mas sem picos extremos O  córtex pré-frontal  (responsável pela razão e tomada de decisões) está ativo A  amígdala  (centro do medo) mantém-se calma Como isso se sente na prática: Segurança emocional Confiança Liberdade para ser quem se é Capacidade de amar sem se ...

Porque é que algumas pessoas ficam presas à paixão (e confundem isso com amor)

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Todos conhecemos alguém — ou já fomos essa pessoa — que vive num ciclo repetido: começa uma relação com intensidade extrema, tudo é fogo, urgência e emoção… mas passado algum tempo, algo “morre”. Surge o tédio, a dúvida, a sensação de que “já não é a mesma coisa”. Então, a pessoa sai e procura  uma nova paixão . Mas afinal…  o que está realmente a acontecer? A resposta não está apenas no coração. Está, sobretudo, no  cérebro .  A paixão é um “fogo de artifício  cerebral. Quando nos apaixonamos, o cérebro entra num verdadeiro espetáculo químico.  Há uma libertação intensa de   dopamina , a substância associada ao prazer, recompensa e motivação. É a mesma envolvida em comportamentos viciantes. Por isso: Pensamos constantemente na outra pessoa Sentimos euforia, energia, excitação Tudo parece mais intenso e urgente Nesta fase, o cérebro funciona quase como se estivesse “embriagado de emoção”.  E atenção:  isto é natural . A paixão existe para apr...

Por que Que o Amor Nos Faz Sentir Diferente?

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O amor, frequentemente descrito como uma experiência e atemporal, é também um fenômeno profundamente biológico. À medida que amadurece, ele não apenas molda nossas emoções e comportamentos, mas também reorganiza o funcionamento do cérebro. Esse processo pode ser  compreendido em três fases principais: paixão, amor romântico e apego duradouro. Cada etapa revela como os circuitos neurais se adaptam para sustentar diferentes formas de vínculo. 🔥 Paixão: o fogo inicial Na fase inicial, que dura semanas ou meses, o cérebro encontra-se em estado de intensa excitação. • A Área Tegmental Ventral (VTA) e o Núcleo Accumbens entram em hiperatividade, liberando grandes quantidades de dopamina. • O córtex pré-frontal, responsável pelo pensamento racional e crítico, reduz sua atividade, enquanto a amígdala se torna menos vigilante. O resultado é um estado de euforia e obsessão: a pessoa amada ocupa constantemente os pensamentos, há idealização e um desejo quase compulsivo de proximidade. Neurob...

Anatomia do Suicídio e o Movimento Janeiro Branco: Reflexões Críticas

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O suicídio constitui um fenômeno complexo, multifatorial e historicamente marcado por tabus sociais. Estudos clássicos de Durkheim, Freud, Menninger e outros demonstram que sua compreensão exige abordagens sociológicas, psicanalíticas, psicológicas e culturais. Apesar da relevância científica, o tema ainda carece de ampla discussão pública e políticas consistentes de prevenção. Nesse cenário, surge o Janeiro Branco, campanha brasileira criada em 2014 e oficializada pela Lei Federal nº 14.556/2023, que busca sensibilizar a sociedade para a importância da saúde mental. Entretanto, cabe problematizar: por que esse cuidado é enfatizado apenas em janeiro, quando a prevenção deveria ser contínua Perspectivas teóricas sobre o suicídio • Sociológica (Durkheim): O suicídio pode ser egoísta, altruísta ou por anomia, sempre relacionado ao grau de integração social. • Psicanalítica (Freud, Menninger, Zilboorg): O ato suicida reflete agressividade voltada contra si mesmo, sentimentos de culpa ou cr...

Psico-Oncologia: Quando Cuidar da Mente Também é Tratar o Câncer

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O diagnóstico de câncer é um dos momentos mais impactantes na vida de uma pessoa. Ele não atinge apenas o corpo — abala sonhos, relações, identidade e o equilíbrio emocional. É nesse cenário que a psico-oncologia surge como uma aliada fundamental, oferecendo suporte psicológico ao paciente, à família e até à equipe médica. Mas o que exatamente é essa área? E por que ela é tão importante?   O que é Psico-Oncologia? A psico-oncologia é uma especialidade da psicologia que atua junto à oncologia para cuidar da saúde mental de quem enfrenta o câncer. Ela entende que o sofrimento emocional faz parte do processo de adoecimento e que tratar a mente é tão importante quanto tratar o corpo. Seu objetivo é claro: melhorar a qualidade de vida do paciente, ajudando-o a lidar com o medo, a dor, a ansiedade, a depressão e as perdas que acompanham a doença. E isso não se limita ao paciente — familiares e cuidadores também recebem apoio, pois o câncer afeta toda a rede de convivência. Como surgiu es...

Quando o isolamento vira sofrimento silencioso

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Transtorno de personalidade esquiva, também chamado de transtorno evitarivo, é uma condição psicológica em que a pessoa sente medo intenso de rejeição, crítica ou humilhação. Não é apenas timidez: trata-se de um padrão duradouro que faz parte da forma como o indivíduo funciona no mundo, afetando relações, trabalho e autoestima. Sintomas principais • Isolamento social: evita contato com outras pessoas, mesmo desejando se relacionar. • Sensação de inadequação: acredita ser inferior, incapaz ou desinteressante. • Hipersensibilidade à crítica: interpreta olhares ou comentários neutros como reprovação. • Evitação de oportunidades: não assume riscos, evita entrevistas, reuniões ou relacionamentos. Diferença entre timidez e transtorno esquivo • Timidez: desconforto passageiro, que pode melhorar com o tempo ou experiências positivas. • Transtorno esquivo: padrão fixo e rígido, com sofrimento constante e impacto global na vida. Por que precisa de tratamento O transtorno não melhora sozinho. Se...