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O desafio de transformar luto em luta

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O feminicídio de Catarina Kasten, ocorrido em Florianópolis em novembro de 2025, expõe a persistência da violência de gênero e convoca a psicologia forense e criminal, assim como todos os profissionais dessa área criminalista e a sociedade em geral a transformar o luto em luta. Este artigo homenageia a vítima e reflete sobre o papel da psicologia criminalista na análise, prevenção e enfrentamento do feminicídio nos tempos atuais, incluindo a discussão sobre alegações de transtornos mentais e a atuação integrada das diferentes áreas da psicologia. O feminicídio é reconhecido como a forma mais extrema da violência contra a mulher. Lagarde (2005) define-o como um crime “não apenas contra a vida, mas contra a condição de ser mulher”. O caso de Catarina Kasten, professora e pesquisadora, violentada e assassinada em uma trilha de Florianópolis, exemplifica como a violência de gênero continua a se manifestar na sociedade, mesmo em espaços públicos que deveriam ser seguros. Feminicídio e violê...

💔 Quando Amar Não É o Bastante: A Dor de Ser Ignorado Por Ser Amável

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  Algumas pessoas amam com profundidade. Se entregam com verdade. Cuidam com generosidade. E, mesmo assim, são ignoradas, desprezadas ou descartadas. Este artigo é sobre elas. Sobre quem ofereceu o melhor de si — e recebeu silêncio. Sobre quem foi presença — e recebeu ausência. Sobre quem foi afeto — e recebeu frieza. 🌪️ O Amor Que Machuca Quando Não É Recíproco Vivemos em uma cultura que ensina que o amor é uma troca justa: “Se você for bom, alguém vai te amar.” Mas essa lógica é cruel. Porque transforma o afeto em mérito, e o desprezo em culpa. Muitas pessoas se perguntam: “Será que fui demais?” “Será que fui fraco por me importar?” “Será que o problema sou eu?” Não. O problema não está em quem ama com intensidade. Está em quem não sabe receber. Em quem confunde cuidado com obrigação. Em quem vê vulnerabilidade como fraqueza. 🧱 A Armadura Que Protege — Mas Também Isola Depois de tantas rejeições, é natural construir defesas: • Independência extrema • Silêncio emocional • Distan...

Altas habilidades/superdotação: mais do que talento, um universo de complexidades e possibilidades

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Por Cleonice F Andrade  Quando se fala em altas habilidades/superdotação (AH/SD), a imagem que costuma vir à mente é a de crianças prodígio resolvendo equações complexas ou dominando instrumentos musicais com maestria. Mas essa visão é apenas a ponta do iceberg. A superdotação é um fenômeno multifacetado que envolve não apenas desempenho excepcional, mas também potencial, emoções, contexto social e necessidades educacionais específicas. Reconhecer essa complexidade é essencial para compreender e apoiar adequadamente esses indivíduos. Histórico e evolução do conceito A trajetória do estudo sobre AH/SD é marcada por mudanças significativas. No início, acreditava-se que o talento extraordinário era fruto exclusivo do ambiente social e cultural. Essa visão começou a ser revista no século XX, com o avanço da psicologia e o desenvolvimento de métodos para identificar habilidades excepcionais. Um marco importante foi o trabalho de Lewis Terman, em 1921, com a criação da Escala de Inteligê...

Sinais de Relacionamentos Prejudiciais

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Por Cleonice F Andrade  Relacionamentos são sistemas dinâmicos — eles evoluem, enfrentam desafios e, por vezes, revelam padrões que comprometem o bem-estar emocional dos envolvidos. Na terapia cognitiva, observamos que os vínculos interpessoais são moldados por crenças centrais, esquemas cognitivos e mecanismos de enfrentamento. Quando esses elementos se tornam disfuncionais, o relacionamento pode deixar de ser um espaço de crescimento e se transformar em uma fonte de sofrimento. 🧠 O Que Torna um Relacionamento Prejudicial? Um relacionamento torna-se prejudicial quando os comportamentos negativos superam os positivos de forma consistente, ou quando há padrões que ferem a integridade emocional, psicológica ou física de um dos parceiros. Isso não significa que todo conflito é sinal de toxicidade — mas sim que há uma repetição de atitudes que minam a segurança, a autoestima e a liberdade do indivíduo. Momentos de estresse, traumas não resolvidos ou esquemas disfuncionais podem intens...

Dar e Receber: A Dinâmica dos Relacionamentos Saudáveis

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Por Cleonice F Andrade  A reciprocidade é uma das forças silenciosas que sustentam os relacionamentos saudáveis. Ela não se manifesta como uma contabilidade emocional, onde cada gesto é registrado e comparado, mas como uma fluidez natural entre dar e receber. Na terapia cognitiva, compreendemos essa dinâmica como uma expressão dos esquemas de valor, merecimento e conexão que cada indivíduo carrega consigo. Dar e receber não significa que cada gesto precise ser retribuído na mesma medida. Às vezes, um parceiro está mais vulnerável, passando por uma fase difícil, e precisa de mais apoio. Em outros momentos, o outro assume naturalmente o papel de cuidador. Esse desequilíbrio é saudável quando há consentimento, respeito e reconhecimento mútuo. 🧠 Esquemas Cognitivos e a Troca Afetiva A forma como uma pessoa dá ou recebe está profundamente ligada aos seus esquemas cognitivos: • Esquema de merecimento: “Sou digno de cuidado” → facilita o recebimento. • Esquema de subjugação: “Preciso cui...

A comunicação nos relacionamentos saudáveis

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Por Cleonice F Andrade  Ao longo de minha trajetória como psicóloga e praticando a terapia cognitiva, uma verdade se revelou com consistência: a qualidade da comunicação entre duas pessoas é um dos maiores preditores da saúde e longevidade de um relacionamento. Seja entre parceiros românticos, amigos ou familiares, a boa comunicação não é a ausência de conflito — é a capacidade de passear por ele com empatia, clareza e respeito mútuo. 🧠 Comunicação e Esquemas Cognitivos Na terapia cognitiva, entendemos que os pensamentos, crenças e interpretações moldam a forma como nos comunicamos. Cada indivíduo carrega esquemas — estruturas mentais que organizam experiências passadas e influenciam a percepção atual. Quando esses esquemas entram em conflito, surgem mal-entendidos, reações defensivas e rupturas emocionais.  Por exemplo: • Um parceiro com o esquema de rejeição pode interpretar silêncio como desprezo. • Outro com o esquema de controle pode reagir com rigidez diante de opiniões...

Amor e Carinho: A Evolução Afetiva nos Relacionamentos Saudáveis

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Por Cleonice F Andrade  O amor é uma das experiências humanas mais complexas e transformadoras. Na prática clínica da terapia cognitiva, observamos que o amor não é apenas uma emoção — é um processo psicológico que evolui, se adapta e se aprofunda ao longo do tempo. Relacionamentos saudáveis são marcados por essa evolução: da paixão intensa à intimidade compassiva, sustentada por carinho, confiança e comprometimento. 🔥 Da Paixão ao Amor Compassivo No início de um relacionamento, é comum que os parceiros vivenciem o chamado amor apaixonado — uma combinação de desejo intenso, idealização do outro e necessidade de proximidade física. Esse estágio é impulsionado por esquemas de recompensa e expectativa, onde o parceiro é visto como fonte de prazer, validação e novidade. Com o tempo, essa intensidade tende a se estabilizar. Isso não significa que o amor diminui, mas que ele se transforma. O amor compassivo emerge como uma forma mais profunda e duradoura de conexão, marcada por: • Afeiç...